Photographer
Madrid

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JUAN BARAJA É UM RECONHECIDO FOTÓGRAFO ESPANHOL QUE EXPLORA A RELAÇÃO ENTRE A ARQUITETURA, O ESPAÇO E A LUZ. SUA OBRA, CARACTERIZADA POR UMA ABORDAGEM PAUSADA E MINUCIOSA, TRANSFORMA ESTRUTURAS QUOTIDIANAS EM COMPOSIÇÕES POÉTICAS QUE REFLETEM SOBRE A PASSAGEM DO TEMPO E A EXPERIÊNCIA HUMANA.
O que sentiu a primeira vez que entrou neste antigo armazém e decidiu convertê-lo no seu estúdio?
Quando visitei o pavilhão pela primeira vez, imaginei perfeitamente como seria o meu estúdio. Naquele momento, era um armazém praticamente abandonado. Havia infiltrações, estava cheio de tralha e lixo, mas o potencial do espaço era evidente. Quando o esvaziei, o lugar era outro. Fiz um primeiro exercício antes de começar a obra e trouxe alguns dos meus móveis para entender a escala. Convidei amigos para conhecer o espaço e isso ajudou-me a imaginá-lo ainda melhor.
Em que medida o passado industrial do espaço influencia o seu estado mental e o seu processo criativo?
A reforma do espaço foi mínima. Mantiveram-se elementos originais; o chão e alguns muros mal foram tocados, e as treliças oxidadas da cobertura conservam-se tal e qual. Tudo isso, junto às partes novas desenhadas por BURR, faz com que o espaço mantenha a sua essência e parte do seu passado industrial. Tornou-se um lugar tranquilo, silencioso e ordenado.
Como foi o seu processo de colaboração com o estúdio BURR?
Foi uma colaboração simples. Entenderam rapidamente o que eu precisava. Esta colaboração continua até hoje, já que o estúdio se vai adaptando pouco a pouco às minhas necessidades e conto com eles para o design das partes novas. Acabamos de fazer uma nova zona de trabalho e um sistema de pentes para armazenar obra.

Sente que este lugar também o “fotografa” a si, de certa forma?
Sim, creio que os espaços terminam por refletir quem os habita. Com o tempo, o estúdio tornou-se uma espécie de retrato indireto da minha forma de trabalhar, dos meus interesses e da minha relação com os objetos e a cor.
A sua obra mudou desde que trabalha aqui?
Não especialmente, mas este espaço permitiu-me trabalhar de outra maneira. Agora permite-me desenvolver vários projetos ao mesmo tempo e conviver com eles de maneira diferente. A obra está muito mais presente do que antes.
Acredita que recuperar espaços industriais para usos criativos é importante para a cidade?
Creio que é a salvação para muitos espaços como este, que poderiam ter desaparecido em vários bairros de Madrid. São espaços que se adaptam às necessidades de artistas e designers que precisam de superfícies amplas para desenvolver os seus projetos. Muitos destes pavilhões pertenciam a ofícios que foram desaparecendo ou deslocando-se para parques industriais nos arredores.
Que importância tem a cor na sua experiência quotidiana do espaço?
Trabalho com a luz e a cor. A minha fotografia baseia-se no equilíbrio das linhas e da cor. Isso inevitavelmente translada-se para o quotidiano. Há três cores recorrentes que se repetem no estúdio, algo que nunca foi intencionado: o amarelo, o verde e o laranja.
Existe algum objeto no atelier que considere especialmente importante ou simbólico?
Uma cadeira amarela que encontrei numa rua de Lisboa. Caminhei bastante tempo com ela desde Alfama até à Calçada do Monte, na Graça. Acompanha-me há muitos anos e tenho-lhe um carinho especial.
Que tendências o entusiasmam atualmente no mundo do design de móveis e interiores?
Interessam-me os designs que recuperam a honestidade nos materiais e as estruturas visíveis. Também um regresso ao uso da cor como elemento construtivo do espaço, não apenas decorativo.
Porque escolhe a The Masie?
Desde o início foi uma proposta generosa e, entre o amplíssimo catálogo, selecionámos várias peças que encaixavam na minha forma de ser, viver e trabalhar neste espaço.
O que lhe inspiram os nossos móveis?
Conforto e empatia. São móveis que dialogam em harmonia com as restantes peças do espaço, oferecendo-me soluções simples e funcionais para o meu dia a dia.
Peça favorita de The Masie
A mesa IREM. Tornou-se uma peça imprescindível do estúdio.
Uma cor
Escolho três: amarelo, laranja e verde.
Estilo favorito
Gosto muito do mobiliário dos anos 50. Há uma modernidade contida que arredonda a sua funcionalidade e muita honestidade na sua inteligência visual.
Peça de museu
Qualquer uma de Jean Prouvé.
As suas referências
Interessam-me especialmente autores que trabalham a partir da observação da paisagem construída e a cor como estrutura da imagem, como Stephen Shore, Luigi Ghirri ou Wolfgang Tillmans.