Photographer
MADRID

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FOTÓGRAFA POR FORMAÇÃO E OBSERVADORA POR NATUREZA, MARTA WALL CAPTURA A ESSÊNCIA DOS ESPAÇOS E A FORMA COMO OS HABITAMOS. INSPIRADA PELO DESIGN DOS ANOS 70, BUSCA SEMPRE O EQUILÍBRIO PERFEITO ENTRE ESTÉTICA E FUNCIONALIDADE. UMA FILOSOFIA VISUAL QUE DÁ VIDA AOS SEUS DOIS PROJETOS MAIS PESSOAIS: O SEU LAR, E HOLGURA, O SEU ESTÚDIO CRIATIVO.
Para quem ainda não te conhece, Marta, como te defines profissionalmente e o que mais te apaixona ao captar espaços e design?
Embora seja fotógrafa de formação, gosto de pensar em mim como alguém que olha, vive, experimenta e capta. Encontro no quotidiano, na arquitetura, na paisagem e nos objetos que me rodeiam diferentes formas de expressar a minha maneira de ver e estar no mundo. O que mais me interessa ao captar espaços é poder, através da fotografia, transmitir sensibilidade, atmosfera e uma narrativa visual. Tento que cada imagem não mostre apenas um espaço, mas que também sugira como ele é habitado.
Qual é o teu espaço favorito da tua casa ou o teu refúgio pessoal e porquê?
A cozinha. Tem um lugar privilegiado, uma das maiores janelas da casa, com vista para um ambiente que mistura o natural e o urbano. Além disso, a sua cor amarela confere-lhe uma personalidade muito especial. A sua ilha de forma singular, desenhada, como toda a casa, pelo estúdio de arquitetura ba-rro, torna-se o coração do espaço. Sendo uma zona aberta, ligada à sala de estar e de jantar, é onde nos reunimos com amigos, celebramos, comemos, brindamos e, ao mesmo tempo, torna-se o nosso refúgio pessoal nos jantares de todas as noites.
Que tendências de design te inspiram atualmente e como as aplicas na tua casa?
Inspiram-me muito os anos 70 e o estilo mid-century modern. Interessa-me essa mistura de peças com caráter, a liberdade na composição e materiais como o aço inoxidável, a madeira ou o veludo, juntamente com elementos mais inesperados como, porque não, uma coluna de espelho!
Como decides que objetos passam a fazer parte do teu espaço? É uma decisão estética, emocional ou funcional?
A necessidade surge da função, precisamos de um sofá, de uma cadeira, de uma mesa... mas na hora de decidir que peças concretas vão fazer parte da nossa casa, a decisão é uma mistura entre emoção e design. Mas não creio que uma decisão estética possa ser considerada algo superficial, por isso, quando pensamos nas peças que escolhemos para a casa, além da sua aparência, temos em conta outros fatores: quem as desenhou, que história contam, de onde vêm, que materiais as compõem, etc. e tudo isto para nós são elementos que acrescentam valor na hora de escolher os nossos objetos.
Que importância acreditas que a cor tem na experiência de um espaço?
A cor pode trazer calor, calma ou vitalidade, e tem a capacidade de transformar por completo a perceção de um mesmo lugar, indo até além da sua forma ou do seu mobiliário. E não modifica apenas a experiência de um espaço, mas também a forma como nos apresentamos ao vestir. A cor também fala sobre como nos queremos expressar e sobre a energia que habita em nós.
Qual é a peça de mobiliário que mais representa o teu estilo de vida?
A cadeira. Interessa-me como objeto em si mesmo: a sua forma, a sua materialidade e tudo o que pode chegar a expressar. É uma peça muito quotidiana, mas com um grande potencial estético e narrativo. Provavelmente será a peça de mobiliário que mais representa o meu estilo de vida. Gosto de como uma cadeira pode transformar um espaço, trazer caráter e até mesmo tornar-se protagonista.
Para quem não o conhece, fala-nos um pouco sobre o Holgura. Como nasceu este projeto?
O Holgura é um projeto que habita um espaço industrial reabilitado em Carabanchel. Entendemo-lo como um contentor aberto, um espaço flexível pensado para se poder adaptar a diferentes situações (filmagens, sessões fotográficas, eventos...). Além disso, é o espaço onde desenvolvo as minhas sessões fotográficas de estúdio. Do ponto de vista do design, havia uma coisa que tínhamos clara quando reabilitámos o espaço: devíamos prestar especial atenção em recuperar a estrutura existente, danificada e envelhecida, sem apagar o seu passado, mas sim tornando-o visível.
3 dicas da Marta Wall para conseguir harmonia numa casa?
1. Partir de uma base neutra, dando importância à preexistência e construir a partir daí.
2. Gosto de brincar com a cor introduzindo-a através de objetos pessoais, móveis e outros elementos mutáveis que possam evoluir com o tempo, e com eles também as cores.
3. Encontrar o equilíbrio entre estética e funcionalidade: criar espaços bonitos, mas também vividos. Algo como encontrar a ordem dentro da desordem.
Porque escolhes a The Masie?
Gosto da The Masie pela sua forma de entender o design, onde a cor, as formas e os materiais têm um papel muito protagonista. As suas peças permitem construir espaços com personalidade sem perder a funcionalidade. Na minha casa encaixa de forma muito natural, porque dialoga com essa mistura de luz, texturas e peças com caráter que faz parte da minha forma de entender o espaço: mais livre, mais expressivo, mas sempre com um olhar estético cuidado.
O que te inspiram os nossos móveis?
São peças com muita presença, mas que ao mesmo tempo permitem que a envolvente e a luz construam cenas muito orgânicas. Em fotografia interessam-me especialmente porque as suas formas, cores e materiais trazem muita personalidade ao espaço.
Peça favorita de The Masie
Gosto muito da cadeira Biarritz porque me lembra a cadeira clássica de sempre, mas levada para algo mais contemporâneo.
Uma cor
O verde. Não sei muito bem porquê, mas sempre que há várias opções, acabo por escolher essa cor.
Estilo favorito
Os anos 70. Interessa-me muito a sua mistura de naturalidade e experimentação, os materiais quentes, as formas orgânicas e essa forma de entender os espaços de forma mais livre e vivida.
Campo ou cidade
Adoro o campo, mas sendo realista acho que sou mais de cidade. Desfruto muito do ritmo, da energia e da vida que nela existe.
As suas referências
Seria impossível ficar apenas com um! Le Corbusier, Miguel Milá, Cesar Manrique, Coderch, Donald Judd...